quinta-feira, março 15, 2012

Sacramentos

O SACRAMENTO DA ORDEM
Um sacramento de serviço.

Continuando nossa série a respeito dos sacramentos, apresentamos hoje o sacramento da Ordem. Juntamente com o Matrimônio são chamados de sacramento de serviço. Assim, quem é batizado e confirmado (crismado) pode também assumir um serviço especial, pondo-se a serviço de Deus. Isso acontece mediante os sacramentos da Ordem e do Matrimônio, por isso os mesmos são chamados sacramentos a serviço da comunhão e da missão, eles conferem uma graça especial para uma missão particular na Igreja em ordem à edificação do povo de Deus, contribuindo em especial para a comunhão eclesial e para a salvação dos outros.

A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos Seus apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até o fim dos tempos. Nela quem é ordenado recebe o dom do Espírito Santo, concedido por Cristo pelo bispo e que lhe dá autoridade sagrada.  Nele o sacerdote continua sobre a terra a obra redentora de Cristo, afirma São João Maria Vianney.

Chama-se Ordem este sacramento, pois indica um corpo eclesial, do qual se passa a fazer parte, mediante uma especial consagração (Ordenação), que, por um particular dom do Espírito Santo, permite exercer um poder sagrado em nome e com a autoridade de Cristo para o serviço do povo de Deus. Compõe-se de três graus, que são insubstituíveis para a estrutura orgânica da Igreja: o episcopado, o presbiterado e o diaconato.
Os sacerdotes na Antiga Aliança encararam a sua missão como uma mediação entre o celeste e o terreno, entre Deus e o Seu povo. Sendo Cristo, o único mediador entre Deus e a humanidade (cf. I Tm 2,5), Ele aperfeiçoou e concluiu este sacerdócio. Depois de Cristo, o sacerdócio só pode existir em Cristo, na imolação de Cristo na cruz e pelo chamamento e  envio apostólico de Cristo.

O efeito da ordenação episcopal confere a plenitude do sacramento da Ordem, faz do bispo o legítimo sucessor dos apóstolos, confere-lhe a missão de ensinar, santificar e governar. O ministério do bispo é, no fundo, o ministério pastoral da Igreja, porque remonta às testemunhas de Jesus.

Ao presbítero a ordenação assinala nele, pela unção do Espírito, um carácter espiritual indelével, configura-o a Cristo Sacerdote e torna-o capaz de agir em nome de Cristo Cabeça. Sendo cooperador da Ordem episcopal, ele é consagrado para pregar o Evangelho, para celebrar o culto divino, sobretudo a Eucaristia, da qual o seu ministério recebe a força, e para ser o pastor dos fiéis.

Na ordenação diaconal o diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do bispo, em relação ao ministério da Palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade.

Para cada um dos três graus, o sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos sobre a cabeça do ordinando por parte do bispo, que pronuncia a solene oração consecratória. Com ela, o bispo invoca de Deus, para o ordinando, a especial efusão do Espírito Santo e dos Seus dons, em ordem ao ministério.

Somente o batizado de sexo masculino pode receber esse sacramento. A Igreja reconhece-se vinculada a esta escolha feita pelo próprio Senhor. Ninguém pode exigir a recepção do sacramento da Ordem, antes deve ser considerado apto para o ministério pela autoridade da Igreja. Esse sacramento dá uma especial efusão do Espírito Santo, que configura o ordenado a Cristo na Sua tríplice função de Sacerdote, Profeta e Rei, segundo os respectivos graus do sacramento. A ordenação confere um caráter espiritual indelével: por isso não pode ser repetida nem conferida por um tempo limitado.

Os sacerdotes ordenados, no exercício do ministério sagrado, falam e agem não por autoridade própria, nem sequer por mandato ou delegação da comunidade, mas na Pessoa de Cristo Cabeça e em nome da Igreja. Portanto, o sacerdócio ministerial difere essencialmente, e não apenas em grau, do sacerdócio comum dos fiéis, para o serviço no qual Cristo o instituiu.

Portanto, os sacramentos da Igreja ora são presididos, ora são assistidos (matrimônio) pelos ministros ordenados, desta forma, para a vida da Igreja e dos fiéis é indispensável que haja homens dispostos a se doar inteiramente ao Evangelho. Por isso é importante que toda a Igreja reze suplicando ao Senhor que suscite no coração dos batizados sinceras e santas vocações ao sacramento da Ordem.

Fonte: CIC

Santo do Dia

São Longuinho
 
Longuinho viveu no primeiro século, e dele muito se falou e escreveu, sendo encontrado em todos os registros contemporâneos da Paixão de Cristo. Existem citações sobre ele nos evangelhos, epistolas dos Santos Padres, e martirológios tanto orientais como nos ocidentais. Estes relatos levaram a uma combinação de diferentes situações, mas, em todas foi identificado como um soldado centurião presente na cena da Crucificação.

Os apóstolos escreveram que ele foi o primeiro a reconhecer Cristo como "o filho de Deus" (27:54 Mateus; 15:39 Marcos; 23:47 Lucas). Em meio ao coro dos insultos e escárnios, teria sido a única voz favorável a afirmar Sua Divindade. Identificado pelo apóstolo João (19:34), como o soldado que "perfurou Jesus com uma lança". Fato este que o definiu como um soldado centurião e que lhe deu o nome Longuinho, derivado do grego que significa "uma lança". Outros textos dizem que era o centurião, comandante dos poucos soldados que guardava o sepulcro do crucifixo, e que presenciava as crucificações, portanto presenciou a de Jesus. Depois, da qual, se converteu.

Segundo a tradição,os crucificados tinham seus pés quebrados para facilitar a retirada da cruz, mas, como Jesus já estava com os pés soltos, um dos soldados perfurou o lado do seu corpo com uma lança. O sangue que saiu deste ferimento de Jesus respingou em seus olhos. Caindo em si, comovido e tocado pela graça, o soldado se converteu. Abandonou para sempre o exército e sua moradia, se tornou um monge que percorreu a Cesarea e a Capadócia, atual Turquia, levando a palavra de Cristo e mais tarde, promovia prodígios pela graça do Espírito Santo.

Entretanto, o governador de Cesarea, que estava irritado com a conversão de seu secretário, descobriu sua identidade de centurião e o denunciou a Poncio Pilatos em Jerusalém. Este, acusou Longuinho de desertor ao imperador e o condenou a morte, caso não oferecesse incenso no altar do imperador, renegando a fé. Longuinho se manteve fiel a Cristo, por isto foi torturado, tendo seus dentes arrancados, a língua cortada e, depois, decapitado.

No Oriente são inúmeros os dias do calendário para as suas homenagens, o mais freqüente ainda é em 16 de Outubro. Na Europa e nas Américas, a comemoração ocorre no dia 15 de Março, como indica o Livro dos Santos do Vaticano.

São Longuinho, à luz de muitas tradições, comumente é invocado pelos devotos para encontrar objetos perdidos. Os artistas ao longo do tempo foram atraídos pela singularidade de sua figura e o representaram em suas obras na cena da crucificação, com lança ou sem lança, mas sempre presente. Em Roma, na basílica de São Pedro, na base de um dos quatro pilares que sustentam a imensa cúpula que cobre o espaço do altar do trono do Sumo Pontífice, está a estátua do centurião São Longuinho, que foi o primeiro a acreditar na divindade de Cristo.

Obs: Hoje a igreja também celebra o dia de Santa Luísa de Marillac e São Clemente Maria Hofbauer.

quarta-feira, março 14, 2012

Aviso!!!

Pessoal tivemos alguns problemas, mais amanhã o blog  estará de volta com força total...

Deus abençoe

Santo do Dia

Santa Matilde
Matilde era filha de nobres saxões. Nasceu em Westfalia, por volta do ano 895 e foi educada pela avó, também Matilde, abadessa de um convento de beneditinas em Herford. Por isso, aprendeu a ler, a escrever e estudou teologia e filosofia, fato pouco comum para as nobres da época, inclusive gostava de assuntos políticos. Constatamos nos registros da época que associada à brilhante inteligência estava uma impressionante beleza física e de alma. Casou-se aos catorze anos com Henrique, duque da Saxônia, que em pouco tempo se tornou Henrique I, rei da Alemanha, com o qual viveu um matrimônio feliz por vinte anos.

Foi um reinado justo e feliz também para o povo. Segundo os relatos, muito dessa justiça recheada de bondade se deveu à rainha que, desde o início, mostrou-se extremamente generosa com os súditos pobres e doentes. Enquanto a ela assistia à população e erguia conventos, escolas e hospitais, o rei tornava a Alemanha líder da Europa, salvando-a da invasão dos húngaros, regularizando a situação de seu país com a Itália e a França e exercendo ainda domínio sobre os eslavos e dinamarqueses. Havia paz em sua nação, graças à rainha, e por isso, ele podia se dedicar aos problemas externos, fortalecendo cada vez mais o seu reinado.

Mas essa bonança chegou ao fim. Henrique I faleceu e começou o sofrimento de Matilde. Antes de morrer, o rei indicou para o trono seu primogênito Oton, mas seu irmão Henrique queria o trono para si. As forças aliadas de cada um dos príncipes entraram em guerra, para desgosto de sua mãe. O exército do príncipe Henrique foi derrotado e Oton foi coroado rei assumindo o trono. Em seguida, os filhos se voltaram contra a mãe, alegando que ela esbanjava os bens da coroa, com a Igreja e os pobres. Tiraram toda sua fortuna e ordenaram que deixasse a corte, exilando-a.

Matilde, triste, infeliz e sofrendo muito, retirou-se para o convento de Engerm. Contudo, muitos anos mais tarde, Oton e Henrique se arrependeram do gesto terrível de ingratidão e devolveram à mãe tudo o que lhe pertencia. De posse dos seus bens, Matilde distribuiu tudo o que tinha para os pobres.

Preferindo continuar sua vida como religiosa permaneceu no convento onde, depois de muitas penitências e orações, desenvolveu o dom das profecias. Matilde faleceu em 968, sendo sepultada ao lado do marido, no convento de Quedlinburgo. Logo foi venerada como Santa pelo povo que propagou rapidamente a fama de sua santidade por todo mundo católico do Ocidente ao Oriente. Especialmente na Alemanha, Itália e Mônaco ainda hoje sua festa, autorizada pela Igreja, é largamente celebrada no dia 14 de março.

quinta-feira, março 08, 2012

Bíblia Sagrada

SALMOS

O Saltério é livro de oração dos antigos judeus. Também para os Cristãos ele tornou-se o livro de enlevos espirituais, depois de o ter sido para o próprio Jesus Cristo.

A palavra “salmo” (psalmus) é a tradução do termo hebraico que quer dizer louvores. Entretanto, esse termo exprime apenas um aspecto do conteúdo desse livro, no qual se encontram lamentações, cânticos de penitência e de reconhecimento, poemas didáticos e súplicas ardentes. Os Salmos eram cânticos destinados principalmente ao uso litúrgico do Templo de Jerusalém, mas neles percebe-se muitas vezes o eco de sentimentos religiosos inteiramente pessoais.

Já em remota antiguidade, muitos desses cânticos foram reunidos em coleções, das quais encontramos alguns traços na divisão atual em cinco livros. Foram certamente os autores dessas coleções que lhes foram sendo feitas independentemente umas das outras, daí não nos podemos admirar se encontrarmos algumas repetições. Foram esses mesmos redatores que, por vezes, ajuntaram dois ou mais salmos num só e que escreveram os títulos que ainda lemos em muitas dessas composições. Em todo o caso, essas inscrições são antiquíssimas. Conservaram-nos elas o nome do provável autor e várias circunstâncias da composição dos salmos, e apresentam situações assaz obscuras a respeito da sua execução musical e do seu emprego litúrgico. Quando os salmos foram traduzidos para o grego, a significação exata dessas inscrições era duvidosa, hoje muitas vezes podemos apenas conjecturar o que ela significava. O mesmo se deve dizer da palavra sela que aparece no final de numerosas estrofes. Essa palavra, em vista de seu sentido obscuro, foi omitida na presente tradução.

Ignora-se quem e quando realizou a última coleção dos cinco livros em uma única, a que nos foi conservada. As inscrições do texto original atribuem 74 salmos a Davi, 10 aos filhos de Corfé, 8 a Asaf, 2 a Salomão e 1 respectivamente a Hemão, a Etão e a Moisés. É difícil averiguar o valor histórico exato desses dados. Entretanto, não há motivos para duvidar que os numerosos salmos provenham do rei Davi. Sejam quais forem os seus autores humanos, a inspiração divina revestiu a sua beleza natural de um profundo sentido religioso, que fez deles, pra sempre, uma inexaurível fonte de vida religiosa e de piedade.

Na literatura da antiguidade, o caráter religioso dos salmos salienta-se pela sua incomparável profundidade. Todas as cordas do sentimento religioso são neles dedilhadas: 

·         Respeito à majestade divina

·         Gratidão pela misericórdia infinita e pelo perdão de Deus.

·         Absoluta confiança na providência.

·         Penitência e contrição ante os próprios pecados.

·         Tristeza e temor dos perigos que nos cercam.

·         Paz.

·         Consolação.

·         Coragem.

·         Obediência.

·         Alegria e esperança.

Por outro lado, os poemas messiânicos e as numerosas alusões as Filho de Davi tornam os salmos ainda mais familiares às nossas almas cristãs. Não admira, pois, o lugar todo particular que o saltério assumiu na liturgia da Igreja.

Essas composições adaptaram-se, em primeiro lugar, aos judeus. Daí serem impregnadas do espirito judaico, que ainda não tinha atingido a plenitude da caridade cristã. Como em outras passagens do antigo testamento, a justiça divina é descrita nos salmos de um modo rude e forte. Muitas vezes o ruído das armas perturba a calma da oração. Entretanto, urge considerar: primeiro, a mentalidade própria dos Hebreus, segundo a qual só Deus era o rei do povo e que os levava a considerar como inimigos de Deus os inimigos do povo eleito, assim estes deviam ser julgados severamente. Em seguida, o crente sabia que o poder do inimigo deveria ser destruído no futuro, porque assim o exigia a santidade de Deus. Dessa forma a vingança, expressa com tanta violência, é atribuída ao próprio Deus, daí a sua misericórdia acompanha a sua justiça. Não nos afastaremos, portanto, do verdadeiro espírito dos salmos, procurando penetrar no cerne espiritual que está por debaixo da casca dura, e aplica-lo às nossas lutas interiores, como outros tantos apelos veementes ao auxílio divino.
Muitas vezes o homem vê-se inclinado para as coisas terrenas e mal consegue rezar. “Não sabemos o que devemos pedir, nem rezar, como convém”, dizia São Paulo (Rm 8:26). Nos salmos deparam-se nos maravilhosos formulários de oração que nos ensinam como devemos nos dirigir a Deus.

Em seu sentido verdadeiro e profundo, os salmos só poderão ser devidamente interpretados por aquele que crê em Jesus Cristo. Isso é evidente quanto aos salmos messiânicos. Mas a mensagem de outros salmos, como de inumeráveis textos Bíblicos, só encontra sentido verdadeiro à luz da vida do Senhor Jesus. Os sofrimentos do justo, por exemplo, São salmos, uma clara imagem dos tormentos suportados por Jesus na sua paixão.

O saltério é, em verdade, o livro de oração da igreja e da alma Cristã.

Eis uma escolha entre os mais belos salmos, agrupados de acordo com seu sentido geral:

  • ·         Salmos de confiança: 22, 26, 120, 130.
  •  
  • ·         Ensinamentos da sabedoria: 1, 31, 36, 118.
  •  
  • ·         Meditações: 8, 9, 35, 38, 48.
  •  
  • ·         Louvores: 7, 18, 28, 46, 92, 96, 97, 145.
  •  
  • ·         Salmos reais ou messiânicos: 2, 18, 19, 20, 21, 44, 68, 71, 109, 144.
  •  
  • ·         Lamentações e orações intensas: 24, 31, 32, 43.
  •  
  • ·         Ação de graças: 33, 65, 102, 135.

O texto original em hebraico muito sofreu no decurso dos séculos. Daí as numerosas divergências, principalmente nas duas primeiras coleções, entre o texto original e a versão latina, sendo esta apenas uma tradução imperfeita do texto grego.

Na numeração dos salmos, existe uma divergência entre o texto hebraico e a versão latina da Vulgata. Essa divergência provém no texto hebraico da divisão imprópria do salmo 9, restituída em sua unidade pelas antigas versões. A numeração do texto latino, adotada no breviário e no missal romano, é conservada na presente tradução. Portanto, os leitores que desejarem saber qual é a numeração do texto hebraico deverão aumentar de uma unidade o número dos salmos desde o salmo 10 até o salmo 147.


***Amanhã falaremos sobre o livro dos Provérbios***

Reflita

O cristão não pode ser uma folha que se joga em um rio e se deixar levar pela água. É preciso nadar contra “a corrente” - Pe. Léo.

Dicas da Semana

MÚSICAS

Pe. FÁBIO

ROSA DE SARON

THE FLANDERS

VIA 33

VIDA RELUZ


LIVROS

  • E O VERBO SE FEZ CARNE - JOSEPH RATZINGER

Os Ensinamentos do Papa Bento XVI sobre o Tempo do Advento e o Mistério do Natal apresentam duas qualidade fundamentais de seu magistério: a profundidade do teólogo e a clareza do professor. Nas páginas desse livro, o Santo padre nos explica a natureza e o significado do Natal e a sua importância para o cristão, ensina a nos preparar durante o tempo do Advento para a Noite do Senhor, fazendo-nos acompanhar e compreender cada etapa e desdobramento do mistério da Encarnação do Verbo. Essas reflexões de Beto XVI, espalhadas em várias homilias, mensagens, catequeses e meditações, realizadas no seu pontificiado ao longo dos anos, foram selecionadas e reunidas nesse livro que agora a Editora Ecclesiae tem o prazer de entregar a seus leitores. Que seja de grande ajuda aos católicos brasileiros na redescoberta do sentido profundo do Mistério do Verbo que se fez carne. 

  • PORQUE CONFESSAR? COMO CONFESSAR? - PROF. FELIPE AQUINO
A primeira providência de Jesus, imediatamente após a Ressurreição, no domingo, quando apareceu aos Apóstolos no Cenáculo, foi instituir o Sacramento da Confissão. Jesus esperava por esta hora; pois é através da Confissão que Ele aplica a cada um de nós o fruto mais excelente da Redenção que é ?tirar o pecado do mundo? (Jo 1, 29); Ele veio ao nosso mundo para isso. Através dos seus ministros consagrados e ordenados Ele distribui o perdão dos pecados que conquistou com a sua morte e Ressurreição. Infelizmente muitos católicos ainda não entenderam a grandeza desse Sacramento e por isso não se confessam bem ou não sabem se confessar. Assim como não se pode ficar com um animal morto dentro de casa, não se pode conviver com o pecado na alma. É através de uma Confissão bem feita que voltamos à amizade com Deus e com a Igreja. 

Sacramentos

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO
Ao se confessar o homem se reconcilia com Cristo.

Após abordarmos os sacramentos da iniciação cristã (batismo, confirmação - crisma e Eucaristia), iniciaremos a segunda categoria dos sacramentos, chamados de cura (penitência – confissão e a unção dos enfermos). Trataremos, neste artigo, a respeito do primeiro sacramento de cura: a penitência, também chamado de sacramento da reconciliação, perdão, confissão e conversão.

Os batizados são chamados a viver esse sacramento, pois embora no batismo o homem seja liberto do pecado, arrebatado da morte e destinado a uma vida na alegria dos redimidos, à nova vida da graça, recebida neste sacramento, a fragilidade da natureza humana e a inclinação para o pecado (isto é, a concupiscência) não foram suprimidas. Desta forma, Cristo instituiu o sacramento da confissão para a conversão dos batizados, os quais d’Ele se afastaram devido ao pecado.

O sacramento da reconciliação foi instituído pelo Senhor, na tarde de Páscoa, quando apareceu aos apóstolos e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos» (Jo 20, 22-23). O próprio Jesus perdoou os pecados de muita gente, para o Senhor isso era mais importante que fazer milagres. Ele via aí o maior sinal da irrupção do Reino de Deus, em que todas as feridas são curadas e todas as lágrima enxugadas. O Senhor transmitiu aos Seus apóstolos a força do Espírito Santo, na qual Ele perdoava os pecados. Dessa forma, quando nos dirigimos a um sacerdote para confessarmos nossos pecados, caímos nos braços do nosso Pai celeste. 

Assim, o homem arrependido de seus pecados, após um sincero exame de consciência; e uma verdadeira contrição (arrependimento) de seus pecados, motivada pelo amor a Deus e do propósito de não mais pecar, dirige-se ao sacerdote e diante dele descreve seus pecados, obrigando-se a realizar certos atos de penitência, que o confessor lhe impuser para reparar o dano causado pelo pecado. O sacerdote, por sua vez, exerce o dever que Cristo confiou aos seus apóstolos, aos bispos, sucessores destes e aos presbíteros, seus colaboradores, os quais, portanto, se convertem em instrumentos da misericórdia e da justiça de Deus. Eles exercem o poder de perdoar os pecados no Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 

Todo o fiel, obtida a idade da razão, é obrigado a confessar os seus pecados graves ao menos uma vez por ano e antes de receber a Sagrada Comunhão. E quando mais se fizer necessário a partir de um diligente exame de consciência, confessando todos os seus pecados graves. A confissão dos pecados veniais é muito recomendada pela Igreja, embora não estritamente necessária, porque nos ajuda a formar uma consciência reta e a lutar contra as más inclinações, para nos deixarmos curar por Cristo e progredirmos na vida do Espírito. 

Desta forma, o dinamismo do «coração contrito» (cf. Sal 51,19), movido pela graça divina, responde ao amor misericordioso de Deus. Isso implica a dor e a repulsa pelos pecados cometidos e o propósito firme de não mais pecar e a confiança na ajuda de Deus. Alimenta-se da esperança na misericórdia divina. 

Os elementos essenciais do sacramento da reconciliação são dois: os atos realizados pelo homem que se converte sob a ação do Espírito Santo e a absolvição do sacerdote, que, em Nome de Cristo, concede o perdão. Os efeitos do sacramento da penitência são: a reconciliação com Deus e, portanto, o perdão dos pecados; a reconciliação com a Igreja; a recuperação, se perdida, do estado de graça; a remissão da pena eterna, merecida por causa dos pecados mortais e, ao menos em parte, das penas temporais que são consequência do pecado; a paz e a serenidade da consciência e a consolação do espírito; o acréscimo das forças espirituais para o combate cristão.

Em casos de grave necessidade (como o perigo iminente de morte), pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação com confissão genérica e absolvição coletiva, respeitando as normas da Igreja e com o propósito de confessar individualmente os pecados graves no tempo oportuno. Um detalhe muito importante, dada à delicadeza e à grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, todo o confessor está obrigado a manter o sigilo sacramental, isto é, o absoluto segredo acerca dos pecados conhecidos em confissão, sem nenhuma exceção e sob penas severíssimas.

Enfim, pela confissão o homem reconcilia-se com Cristo, com a Igreja e com os irmãos, é, portanto, um sacramento de cura, de recomeço de uma vida de santidade, de acolhimento nos braços do Pai. Assim, como ensinado por São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, depois de cada pecado reconhecido, e confessado, ressuscitamos. A confissão concede ao homem a oportunidade de uma vida nova por meio da misericórdia do Senhor. 

Aproveite esta Quaresma e se empenhe na vivência da penitência, reconhecendo seus pecados a partir de um exame de consciência sincero, e com o coração contrito, desejando não mais pecar, e procure um sacerdote a fim de receber este sacramento e gozar da vida nova destinada a você por meio da reconciliação com o Senhor.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica)

Evangelho do Dia

LUCAS 13:19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20
Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22
Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25
Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27
O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30
O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’. 

 Hoje, o Evangelho é uma parábola que nos descobre as realidades do homem depois da sua morte. Jesus fala-nos do prêmio ou do castigo que obteremos de acordo com o nosso comportamento.

O contraste entre o rico e o pobre é muito forte. O luxo e a indiferença do rico; a situação patética de Lázaro, com os cães a lamber-lhe as feridas (cf. Lc 16,19-21). Tudo isso tem um grande realismo e permite que entremos na cena.


Podemos pensar: onde estaria eu se fosse um dos protagonistas desta parábola? A nossa sociedade recorda-nos, constantemente, como devemos viver bem, com conforto e bem-estar contentes e sem preocupações. Viver para nós próprios, sem nos preocupamos com os outros, ou preocupando-nos apenas o necessário para que a nossa consciência fique tranquila, mas não com um sentido de justiça, amor ou solidariedade.


Hoje se apresenta a necessidade de ouvir a Deus nesta vida, de nos convertermos nela e de aproveitarmos o tempo que Ele nos concede. Deus pede contas. Nesta vida jogamos a vida.


Jesus deixa clara a existência do inferno e descreve algumas das suas características: a pena que sofrem os sentidos —«Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas» (Lc 16,24)— e a sua eternidade —«há um grande abismo entre nós» (Lc 16,26).


São Gregório Magno diz-nos que «se dizem todas estas coisas para que ninguém possa desculpar-se por causa da sua ignorância». Há que despojar-se do homem velho e ser livre para poder amar o próximo. É necessário responder ao sofrimento dos pobres, dos doentes ou dos abandonados. Seria bom que recordássemos esta parábola com frequência para que nos tornemos mais responsáveis pela nossa vida. A todos chegará o momento da morte. E temos que estar sempre preparados, porque um dia seremos julgados.

Santo do Dia

São João de Deus
 
João Cidade Duarte nasceu no dia 08 de março de 1495 em Montemor-o-novo, perto de Évora, Portugal. Seu pai era vendedor de frutas na rua. Da sua infancia sabemos apenas que, João, aos oito ou fugiu ou foi raptado por um viajante, que se hospedou em sua casa. Depois de vinte dias, sua mãe não resistiu e morreu. O pai acabou seus dias no convento dos franciscanos, que o acolheram.

Enquanto isso, João foi à pé para a Espanha rumo à cidade de Madrid, junto com mendigos e sanltimbancos. Nos arredores de Toledo, o viajante o deixou aos cuidados de um bom homem, Francisco Majoral, administrador dos rebanhos do Conde de Oropesa, conhecido por sua caridade. Foi nessa época que ganhou o apelido de João de Deus, porque ninguém sabia direito quem era ou de onde vinha.

Por seis anos Francisco o educou como um filho, ao lado de sua pequenina filha. Dos catorze anos até os vinte e oito João trabalhou e viveu como um pastor. E quando Francisco decideu casa-lo com sua filha, de novo ele fugiu, começando sua vida errante.

Alistou-se como soldado de Carlos V e participou da batalha de Paiva, contra Francisco I. Vitorioso, abandonou os campos de batalha e ganhou o mundo. Viajou por toda a Europa, foi para a África, trabalhou como vendedor ambulante em Gibraltar. Então, qual filho pródigo, voltou à sua cidade natal, onde ninguém o reconheceu, pois os pais já tinham falecido; novamente rumou à Espanha, onde abriu uma livraria em Granada.

Nessa cidade, em 1538, depois de ter ouvido um inflamado sermão proferido por João d'Ávila, que a Igreja também canonizou, arrependido dos seus pecados e tocado pela graça, saiu correndo da igreja, e gritou: "misericórdia, Senhor, misericórdia". Todos riram dele, mas João de Deus não se importou. Distribuiu todos os seus bens aos pobres e começou a fazer rigorosas penitências. Tomado por louco foi internado num hospital psiquiátrico, onde foi tratado desumanamente. Depois de ter experimentado todas as crueldades que aí se praticavam e orientado por João d'Ávila decidiu fundar uma casa-hospitalar, para tratar os loucos. Criou assim uma nova Ordem religiosa, a dos Irmãos Hospitaleiros.

Ao todo foram mais de oitenta casas-hospitalares fundadas, para abrigar loucos e doentes terminais. Para cuidar deles, usava um processo todo seu, sendo considerado o precursor do método psicanalítico e psicossomático, inventado quatro séculos depois por Freud e seus discípulos. João de Deus, que nunca se formou em medicina, curava os doentes mentais utilizando a fé e sua própria experiência. Partia do princípio de que curando a alma, meio caminho havia sido trilhado para curar o corpo. Ele sentia a dualidade da situação do doente, por te-la vivenciado dessa maneira. João de Deus sentia-se pertencer ao mundo dos loucos e ao mundo dos pecadores e indignos e, por isso, se motivou a trabalhar na dignificação, reabilitação e inserção de ambas as categorias. Um modelo de empatia e convicções profundas tão em falta, que várias instituições seguiram sua orientação nesse sentido, tempos depois e ainda hoje.

Depois, João de Deus e seus discípulos passaram a atender todos os tipos de enfermos. Seu mote era: "fazei o bem, irmãos, para o bem de vós mesmos". Ele morreu no mesmo dia em que nasceu, aos cinqüenta e cinco anos, no dia 8 de março de 1550. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII que o proclamou padroeiro dos hospitais, dos doentes e de todos aqueles que trabalham pela cura dos enfermos.

Hoje a Ordem Hospitaleira São João de Deus, é um instituto religioso, internacional, com sede em Roma, composto de homens que por amor a Deus se consagram à hospitalidade misericordiosa para com os doentes e necessitados em quarenta e cinco países dos cinco continentes.