segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Bíblia Sagrada

RUTE

A história de Rute ocorreu no tempo dos Juízes. Não conhecemos o autor dessa encantadora narrativa, nem a data exata de sua composição, provavelmente posterior ao exílio.

Trata-se de uma mulher estrangeira, viúva de um judeu. Veio ela fixar-se em Israel para permanecer fiel ao afeto que tinha à sua sogra, Noêmi. Aí desposou, depois de ter abraçado a fé israelita, Booz, que, de acordo com a lei mosaica, estava obrigado a tomar por mulher a viúva de seu parente mais próximo sem filhos. Assim Rute, embora estrangeira, entra para a comunidade de Israel. 

Pelo seu casamento com Booz, torna-se uma antepassada do Rei Davi, e figura como uma das quatro mulheres mencionadas na genealogia de Jesus (Mt 1,5).

Rute deve ser citada como modelo de piedade filial e de fidelidade. “Para onde tu fores, disse ela, também eu irei; onde tu te detiveres, aí eu me deterei. Teu povo será o meu povo, teu Deus, será o meu Deus”. (1,16)
Por outro lado,  o fato de Deus tê-la elegido demostra que a escolha do povo eleito não é tão exclusiva que Deus se desinteresse das outras nações. Ao contrário, temos aqui um sinal da universalidade da salvação.



                                ***Amanhã falaremos sobre os livros de Samuel***

Reflita

“O demônio deixa bem tranqüilo os maus cristãos; ninguém se preocupa com eles, mas contra aqueles que fazem o bem ele suscita mil calúnias, mil ofensas.” - São João Maria Vianney

Vídeo Especial

O tema do nosso vídeo de hoje é "Indulgências"



Evangelho do Dia

MARCOS 8:11-13

Naquele tempo, 11os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu. 12Mas Jesus deu um suspiro profundo e disse: “Por que esta gente pede um sinal? Em verdade vos digo, a esta gente não será dado nenhum sinal”. 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e se dirigiu para a outra margem. 

Hoje, o Evangelho parece que não nos diz muito, nem sobre Jesus nem sobre nós próprios. «Por que esta geração pede um sinal?» (Mc 8,12). João Paulo II, comentando este episódio da vida de Jesus Cristo diz-nos: «Jesus convida ao discernimento relativamente às palavras e às obras que testemunham (são “sinal de”) a chegada do reino do Pai». Parece que aos Judeus que interrogam Jesus lhes falta a capacidade ou a vontade de pensar no sinal que de fato, são toda a atuação, obras e palavras do Senhor.

Também hoje em dia se pedem sinais a Jesus: que nos mostre a sua presença no mundo ou que nos diga como devemos atuar. O Papa faz-nos ver que a negação de Jesus Cristo em dar um sinal aos judeus, e portanto a nós também, se deve a que quer mudar a lógica do mundo, orientada na procura de signos que confirmem o desejo de auto-afirmação e de poder do homem». Os judeus não queriam um signo qualquer, mas aquele que indicasse que Jesus era o messias que eles esperavam. Não esperavam o que viria para os salvar mas aquele que viria dar segurança às suas visões de como se deveriam fazer as coisas.

Definitivamente, quando os judeus do tempo de Jesus, como também os cristãos de hoje pedimos, de uma forma ou de outra, um sinal, o que fazemos é pedir a Deus que atue à nossa maneira, da forma que julgamos mais correta e, que por isso apoia o nosso modo de pensar. E Deus, que sabe e pode mais (e por isso pedimos no Pai-Nosso que se faça a “sua” vontade), tem os seus caminhos, mesmo que não nos seja fácil compreendê-los. Mas Ele, que se deixa encontrar por todos os que O procuram, também se lhe pedirmos discernimento, nos fará compreender qual é a sua forma de atuar e, como podemos distinguir hoje os seus signos. 

Formação

AS DINÂMICAS DA CULTURA.
A fé católica tem a força de definir o jeito de ser.

A estrutura da cultura no âmbito da sociedade é um tecido sustentador e definidor de práticas, de dinâmicas, funcionamentos, escolhas pessoais e coletivas. É o conjunto de tudo o que configura a vida de um povo, com força para definir modos, escolhas, estilo de vida, e, particularmente, a mentalidade que emoldura o jeito de ser.

Assim, quando se pensa o futuro de uma sociedade não se pode negligenciar um bom entendimento sobre a cultura.  Essa compreensão propiciará a necessária manutenção de valores e indicará, por sua vez, a oportunidade de correções em dinâmicas e funcionamentos. Permite, dessa forma, a superação de conservações obsoletas. Mas, também, garante o cuidado para não se assumir o que, por onda ou moda, pode ser fator de deterioração de elementos indispensáveis para a unidade do sistema. O desafio de zelar e ajustar a própria cultura é tarefa de todos, missão de cidadania e, particularmente, de instituições como a família, os governos, a Igreja e outros centros educativos.

Voltando, então, ao conceito de cultura, para acentuar sua importância como capítulo central na vida cidadã, vale ter presente, numa compreensão mais ampla, que ela [cultura] representa o modo particular com que o homem cultiva sua relação com a natureza, com seu semelhante, consigo mesmo e com Deus. É ela quem determina, pois, a humanização ou a desumanização da existência.

Por isso mesmo, é preciso considerar a cultura como uma preciosidade. Um patrimônio de todos, em cada contexto específico, que define o modo de ser de um povo, com seus desafios, pobrezas e demandas a serem adequadamente respondidas. Mas não se trata apenas de defender qualquer cultura, algo possível na atualidade, quando se pensa na força e na rapidez envolvente do mundo cibernético. A força da internet, junto com outras forças, frequentemente atua como um “tsunami” na vida social, provocando derrocadas de valores e perda das práticas agregadoras.

A recuperação dessas perdas não é tão simples. Demanda um longo processo até configurar, de novo, ou pela primeira vez, uma cultura da vida e da paz no sistema da sociedade. É preciso refletir, permanentemente, a cultura no contexto em que estamos inseridos, atuamos e temos responsabilidades. Assim, será possível constatar que há muito a ser corrigido e substituído, mas que também é importante a conservação, o cultivo e o crescimento do que é valor no tecido social.

Na lista interminável de raciocínios e reflexões a serem arquitetadas, é interessante pensar que a economia brasileira, atualmente em posição de destaque no ranking mundial, precisa garantir o desenvolvimento que deve ser almejado no horizonte cidadão. O dinheiro disponível mexe com os interesses políticos, a ganância que envenena corações, a burocratização por incompetência, as morosidades inexplicáveis e a falta de sentido corporativo, que macula e esvazia a verdadeira cidadania.

Sabe-se, em tantos casos, da existência de verba para urgentíssimas obras de infraestrutura. No entanto, muitos parecem dormir sobre as urgências. Acostuma-se com o menos e, assim, não se busca a indispensável rapidez nas ações e não se exercita a inteligência.

Há muito no cotidiano de todos que precisa ser refletido. Nesse caminho, o importante é avaliar o que deve ser conservado e o que, urgentemente, em hábitos e práticas, deve ser substituído. Para citar um exemplo recente de mudança cultural em processo, o uso da violência, até pouco tempo, era aceito como recurso para fazer uma criança aprender o bem. Hoje, a própria legislação coíbe a educação baseada nas palmadas, enquadrando-a como violência familiar e, assim, estimula a revisão de hábitos culturais. Essa mudança é impulsionada por muitas forças, como o desenvolvimento científico. Pesquisa da neurociência mostra que cada idade tem o seu estímulo certo, indicando que até os oito anos cabem somente elogios, jamais pancadas. Apenas depois dos 12 anos é que vem a sensibilidade a críticas e a aprendizagem com erros.

Ao refletir sobre o lugar da fé cristã católica, enraizada em nosso substrato cultural, somos alertados de cuidar deste grande bem. A fé cristã católica tem a força de definir o jeito de ser, englobando práticas religiosas, o lugar primeiro de Deus em tudo, as devoções, a marca da solidariedade e outros valores. A fé é nosso mais precioso tesouro.
(Texto de Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte)

Santo do Dia

São Martiniano
Martiniano era um monge eremita, mas acabou se tornando um andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo".

Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, nasceu no século quatro. Desde a tenra idade decidiu ligar sua vida à Deus e aos dezoito anos ingressou numa comunidade de eremitas, não muito distante da sua cidade, onde se entregou à vida reclusa e viveu durante sete anos. A fama de sua sabedoria percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual, a cura de doenças e até a expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santidade e essa fama atraiu Cloé, uma jovem cortesã.

Cloé era milionária, bela e conhecida como uma mulher de costumes arrojados e pouco recomendáveis. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o casto monge se perder. Trocou suas roupas luxuosas por farrapos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, acomodou-a e foi para os aposentos do fundo da casa, onde rezou entoando cânticos de louvor ao Senhor, antes de se recolher para dormir.

Mesmo assim, Cloé não desistiu. Pela manhã trocara os farrapos por uma roupa muito sensual, aguardando o ingresso do monge nos aposentos internos da casa. O que logo aconteceu, ela então utilizou argumentos espertos tentando seduzir Martiniano, mas, ao invés disso, acabou sendo convertida por ele. Cloé a partir de então, se recolheu ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. E se santificou na vida religiosa consagrada à Deus.

Por sua vez, Martiniano, que chegou a sentir-se tentado, mudou-se dali para uma ilha. Porém, certa vez, naquelas águas que rodeavam a ilha ocorreu um naufrágio de um navio e uma jovem passageira chamada Fotinia que se salvou lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ela ficasse, mas para não sentir a tentação novamente abandonou o lugar a nado, apesar do continente ficar muito distante. A tradição diz que ele não nadou, mas que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme, são e salvo.

O fato é que, depois disso, tomou uma decisão radical, tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e ser tentado pelo pecado. Vivia da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu para a Casa do Pai serenamente e na santa paz.



Obs: Hoje a Igreja também celebra o dia de São Gregório II e Santo Benigno.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Bíblia Sagrada

                                                        JUÍZES

O livro dos Juízes, cujo autor é desconhecido, delineia a história do povo hebreu durante um período de cerca de 200 anos, desde a morte de Josué até meados do XI século antes de nossa era. Temos ai uma espécie de coleção de narrações épicas inspiradas nas ações heroicas de homens chamados Juízes. Esses homens foram, antes de tudo, chefes militares em épocas perigosas.

Surgiram no meio de diversas tribos que havia libertado, ao menos provisoriamente.

É um período de decadência política e religiosa. As tribos israelenses ainda não têm força bastante para impor-se no meio das populações cananeias e para resistir à pressão dos filisteus. Por outro lado, o povo vai se deixando seduzir pela vida fácil das nações vizinhas, cujos costumes grosseiros e práticas idolátricas vai adotando.

Cada uma dessas pequenas epopeias é-nos descrita em planos semelhantes entre si, nos quais se descobre um movimento em quatro tempos: “Os israelitas fizeram o mal diante dos olhos do Senhor. A ira do Senhor inflamou-se contra eles e entregou-os às mãos dos seus inimigos, pelos quais foram escravizados. Mas eles gritaram, recorrendo ao Senhor, que suscitou um libertador para livrá-los”. (3,7-9)
Dir-se-ia que a história é considerada aqui como uma verdadeira pedagogia divina: as desgraças são consideradas como um castigo, a libertação, como um perdão. Deus é o único Senhor e o único guia de seu povo.

Eis aqui algumas passagens mais notáveis:

•    cap.2: em que se expõe a interpretação que se deve dar aos acontecimentos que em seguida se vão ler.

•    Cap. 3: História de Otoniel e de Aod.

•    Cap. 4: História de Débora, a profetiza e juíza.

•    Cap. 6 a 8: História de Gideão.

•    Cap. 9: O usurpador Abimelec.

•    Cap. 11: A história decepcionante de Jefté, que nos demonstra que os heróis do povo de Deus, afinal de contas, não passam de simples homens  e que este povo, embora escolhido por Deus, estava ainda inteiramente eivado de costumes bárbaros das nações vizinhas.

•    Cap. 13 a 16: A história de Sansão, um homem eleito, mas desobediente, que enfrenta a paciência divina, ele não deixa de cumprir a missão à qual a graça o destinara, em virtude dessa mesma eleição, obtém que o castigo divino seja atenuado e que em último lugar triunfe a misericórdia.

O livro dos Juízes encerra, em apêndice, duas relações particularmente violentas e cruéis. Difícil nos é hoje situá-las com exatidão. A primeira parece ser posterior à época dos Juízes: é a história da fundação de um pequeno santuário idolátrico, uma espécie de Igreja dissidente. Esse episódio, assim como o seguinte, a violação do direito de hospitalidade por pessoas da tribo de Benjamim, dá lugar a sangrentas represálias, que não deixar de causar estranheza a um leitor pouco avisado. Trata-se de uma época em que ainda reinava a lei de Talião, na qual as tribos se insurgiam para vingar as injúrias feitas a indivíduos e unicamente à crueldade servia para reprimir os abusos os as infrações ao direito comum. Urge notar, entretanto, que a relação não termina por um castigo nem por uma exterminação, mais pela reintegração de Benjamim na federação das tribos de Israel, sinal de magnanimidade de perdão.

A leitura do livro dos Juízes prende o interesse dos leitores, apesar dos atos de barbarismos aí relatados por diversas vezes, testemunhando uma civilização primitiva e um senso moral ainda em vias de ser aperfeiçoado.


***Segunda falaremos sobre o livro de Rute***

Reflita

“É necessário trabalhar neste mundo, é necessário combater. Teremos toda a eternidade para descansar.” - São João Maria Vianney

Vídeo Especial

O tema do nosso vídeo de hoje é "Comunhão em pecado grave".



Evangelho do Dia

MARCOS 7:31-37

Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”. 

Hoje o Evangelho apresenta-nos um milagre de Jesus: fez voltar a ouvir e destravou a língua a um surdo. A gente ficou admirada e dizia: «Tudo ele tem feito bem» (Mc 7,37).

Esta é a biografia de Jesus feita pelos seus contemporâneos. Uma biografia curta e completa. Quem é Jesus? É aquele que tudo tem feito bem. No duplo sentido da palavra: no que e no como, na substância e na maneira. É aquele que só fez boas obras, e que realizou bem as boas obras, de uma maneira perfeita, bem acabada. Jesus é uma pessoa que tudo faz bem, por que só faz ações boas e aquilo que faz deixa-o acabado. Não entrega nada a meio fazer; e não espera a depois para terminar.


Procure também você deixar as coisas totalmente terminadas agora: a oração; o trato com os familiares e as outras pessoas; o trabalho; o apostolado; a formação espiritual e profissional; etc. Seja exigente consigo mesmo, e seja também exigente, suavemente com quem depende de você. Não tolere trabalhos mal feitos. Deus não gosta e incomodam ao próximo. Não tenha essa atitude para ficar bem, nem porque é o que más rende, humanamente; senão porque a Deus não lhe agradam as obras más nem as obras “boas” mal feitas. A Sagrada Escritura afirma: «Suas obras são perfeitas» (Dt 32,4). E o Senhor através de Moisés, manifesta ao Povo de Israel: «Nenhuma coisa, porém, que tiver defeito oferecereis, porque não será aceita a vosso favor» (Lev 22,20). Pede a ajuda maternal da Virgem Maria. Ela, como Jesus, também fez tudo bem feito.


São Josemaria oferece-nos o segredo para conseguí-lo: «Faz o que deves e está no que fazes». É essa a sua maneira de atuar?